sexta-feira, 2 de maio de 2014

Entre aspas: Fadas drogadas não criam heroínas



Que me desculpe a Cinderela  mas não consigo mais cair no seu conto de fadas. Na sua historinha fantasiosa e nos seus ratinhos ajudantes e misericordiosos. Pra mim, uma pessoa que sai, atordoada, correndo escadaria abaixo contra o tempo, perde um sapatinho, com salto 15 imagino, e não se esborracha no chão, é no mínimo, mística. Surreal, incrível, impossível.

Como conseguiu correr com apenas um salto, Cinderela?  Qual feitiço não te deixou cair? Quase imagino que você chegou na carruagem voando. Contos de fadas pra mim, já eram. Estamos na época de que vale mais uma ficção real, do que uma realidade imaginária.

Prefiro o sangue do rosto das meninas comuns que povoam a literatura atual. Prefiro a doença e as feridas das mocinhas que pegam em armas. Prefiro as personagens que sofrem, que adoecem, que se deprimem e se revoltam com a vida, e não ficam sentadas suspirando por seus príncipes.
Príncipes não existem. Prefiro acreditar que existem bruxos, lobos gigantes e vampiros, mas daqueles bem cruéis, a acreditar que, mesmo apodrecendo numa redoma de vidro no meio da floresta, algum homem lindo e gentil irá me salvar. 

Uma pinoia! Não antes de mandar me darem um bom banho. Mais fácil seriam os anões terminarem de me matar. Florestas são escuras, florestas têm homens maus, assim como na cidade. 

Ou mesmo pior é, dentro das cidades. O mundo que encontramos não é seguro. O mundo que encontramos não é sadio. Parem de achar que é tudo cor de rosa. Não pensem nem por um segundo que, no final, tudo vai acabar bem. Só vai acabar bem se você assim, o fizer.

Levantem-se e percebam como o mundo é cinza. Apesar de tudo, a adversidade vai sempre estar ali, bem perto, à espreita. Sempre quando acreditar que está tudo certo, ela chega, te dá um empurrão, e a realidade bate em você. 

Pra vencer, nesse mundo cruel  não adianta chorar, não adianta gritar por socorro. Sobrevivam, e transforme cada dia, um dia de luta, em um dia de glória. Transformem uma dor, em sorriso, uma doença em coisa nenhuma. Ninguém é merecedor de tristezas  e no entanto, todos somos tristes por um minuto. 

Pode não terminar em coroa e casamento, mas termina com dignidade e sensação de dever cumprido.

A Autora: Sarah Marques, 21 anos, mora no Rio de Janeiro e é dona do blog Endless Poem.

Nenhum comentário:

Postar um comentário